Blog do Evaldo Viana

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terça-feira, 2 de dezembro de 2025

O GOVERNO QUE DESPREZA A EDUCAÇÃO E UM SINDICATO QUE DESAPRENDEU A LUTAR

 


Se Alenquer fosse um laboratório de experiê
ncias administrativas, seria aquele experimento que o pesquisador esquece ligado durante o fim de semana e, ao voltar na segunda-feira, descobre que explodiu. E a explosão, claro, foi na educação — essa área que o governo municipal trata como se fosse uma planta de plástico: bonita no discurso, dispensável na prática, e invariavelmente cheia de poeira.

Em 2024, a prefeitura de Alenquer recebeu mais de R$ 106 milhões de FUNDEB, gastou quase tudo, mas deixou sobrar mais de R$ 2,4 milhões — dinheiro que poderia, sim, ter ido direto para o bolso dos profissionais da educação mediante rateio, como manda o bom senso, a decência e a gramática da valorização.


Mas não: preferiram deixar o dinheiro dormindo, como quem põe o futuro na gaveta e finge que não está ouvindo os gritos da realidade.

Porque em Alenquer, gastar com professor parece ser considerado um luxo indevido — como tapete persa em cozinha ou perfume caro para ir ao mercado.

Mas, sejamos justos: por que o governo municipal se daria ao trabalho de valorizar quem não cobra?
Por que respeitar profissionais que aprenderam a sobreviver no silêncio, como se a educação fosse um favor prestado à sociedade, e não o cimento básico da civilização?

E aqui entra o personagem mais tragicômico desta peça: o Sindicato dos Profissionais da educação de Alenquer - esse monumento de sonolência política.

Se sindicatos fossem bombeiros, o de Alenquer ficaria vendo o prédio pegar fogo e diria: “Vamos esperar apagar sozinho. A gente não quer confusão.”

É uma entidade que conseguiu a proeza de transformar combatividade em papel vegetal: translúcida, frágil e absolutamente inútil.


Um sindicato que não luta, não pressiona, não incomoda. E quando fala, fala baixo — talvez para não acordar o governo.

Os professores, por sua vez, não escapam da crítica. Há bons, há excelentes, há heróis — mas há também uma massa amorfa que, por medo, comodismo ou simples descrença, aceita ser continuamente atropelada pela máquina pública. Aceita atraso, aceita descaso, aceita arbitrário, aceita sobra do FUNDEB indo para o limbo em vez de para o rateio.

E o pior: aceitam como se a culpa fosse de um “destino inevitável”, quando o inevitável, na verdade, é o desastre de não reagir.

No final das contas, Alenquer vive uma situação ímpar:  um governo que trata a educação como estorvo; um sindicato que trata a luta como incômodo; professores que tratam a própria dignidade como item opcional do contracheque.

E enquanto isso, a sobra de 2024 - dinheiro que deveria estar valorizando quem mantém as salas de aula de pé - continua lá, repousando em berço esplêndido, como se a educação pudesse esperar. Como se a vida de quem ensina fosse feita de adiamentos. Como se a injustiça não tivesse data para acabar.

É por isso que Alenquer parece andar em círculos: um governo que não faz, um sindicato que não cobra, professores que não reagem.

Há quem acredite que um dia esse triste e melancólico cenário finalmente mudará. Há quem aposte que, em algum lampejo de iluminação tardia, o prefeito reconhecerá a importância da educação e enfim valorizará seus profissionais. Há quem imagine que o Sindicato dos Profissionais da Educação de Alenquer despertará de seu torpor, transformando-se numa entidade combativa, aguerrida e ativa na defesa daqueles que deveria representar. E há ainda quem sonhe que, um dia, os professores deixarão de ser omissos, passivos, acomodados e coniventes com as ações de um governo já habituado a desprezá-los, ignorá-los e humilhá-los.

Você acredita que esse dia chegará?


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