No próximo dia 30 de janeiro, aterrissa em Alenquer o senhor José Priante, figura já conhecida do povo não pelo que faz, mas pelo calendário que obedece. Sua presença no município costuma coincidir com a floração das urnas. Não falha. É um político migratório: só aparece quando o clima eleitoral está propício.
Sua chegada, como manda o figurino, não dispensa o aparato circense. Há sempre festa, passeata, carreata, motociata, buzinaço e o inevitável trio elétrico, de onde o deputado, em pose messiânica, anuncia ter “conseguido” milhares ou milhões de reais para alguma obrícula local. Nunca diz de onde vem o dinheiro, porque dinheiro público, quando mal explicado, rende mais aplausos.
O detalhe essencial, porém, é este: não importa a obra pronta. Importa o anúncio. Importa o espetáculo. O senhor Priante e o prefeito adulão que o bajula não se interessam pelo fim da estrada, mas pelo palanque montado no meio do caminho. O cimento pode rachar depois; o discurso, não.
Desta vez, o deputado não vem anunciar a liberação de um milhão genérico. Vem inaugurar a primeira etapa da pavimentação da Rua João Ferreira. Não se sabe se a etapa tem 100, 200 ou 400 metros. O que se sabe é que custou R$ 1.893.000,00, foi contratada em dezembro de 2024 e, mais de um ano depois, o que se entrega é um pedaço de rua, curto demais para virar quarteirão e caro demais para virar piada.
Ainda assim, lá estará o deputado, aplaudindo a si mesmo, ladeado pelo prefeito bajulão, celebrando como mega obra o asfalto de 300 ou 400 metros. É a política do embuste, da enganação, da empulhação.
Do alto do palanque, onde costuma gabar-se de “trabalhar muito” — resta saber em quê —, o senhor Priante poderia aproveitar a ocasião para esclarecer ao povo de Alenquer quanto custa cada uma de suas viagens ao município e, sobretudo, quem paga a conta. Poderia também informar quanto a prefeitura gasta em gasolina para abastecer motos e carros que seguem o cortejo montado exclusivamente para aplaudi-lo. Transparência, afinal, também deveria ser obra pública.
Não seria exagero pedir que o deputado explicasse, com simplicidade, quais são suas atribuições. Ainda é deputado federal para propor leis e fiscalizar recursos federais, ou tornou-se apenas um animador de inaugurações parciais? Poderia, de quebra, listar ao menos alguns projetos — ainda que irrelevantes — apresentados ao longo de quase 26 anos de mandato como deputado federal.
Talvez pudesse também contar quando foi a última vez que subiu à tribuna da Câmara para tratar de um tema relevante. Lembra? Ou a tribuna virou apenas lembrança de arquivo?
Quem sabe narrasse episódios em que denunciou corrupção, enfrentou prefeitos desonestos ou impediu que agatunados se apropriassem do dinheiro da saúde e da educação. Episódios concretos, não lendas, sr. Deputado Mas quando mesmo isso aconteceu, home?!!!
O povo alenquerense, esse sim, teria especial interesse se o deputado tivesse a coragem de lembrar que, há mais de dez anos, o Governo Federal liberou mais de R$ 10 milhões (valores atualizados) para a construção de postos de saúde nas comunidades do Camburão, Boa Água, Mamiá, Pacoval, Residencial Luiz Quezado e para a UPA de Alenquer.
Teria o senhor Priante coragem de dizer que todas essas obras foram CANCELADAS por defeitos de execução, embora o dinheiro tenha sido liberado?
E ousaria admitir que, se Alenquer tivesse um deputado sério, atuante e verdadeiramente fiscalizador, essas unidades de saúde provavelmente estariam de pé, atendendo a população que hoje só recebe promessas e palanque?
Não! O senhor Priante não é conhecido por sincericídios. É conhecido como político carreirista, oportunista, demagogo, especialista em explorar eleitores desatentos, desavisados e atoleimados, que ainda confundem trio elétrico com trabalho parlamentar.
Em Alenquer, mais uma vez, não se inaugura uma obra dígna desse nome. Inaugura-se um discurso velho, repintado de concreto fresco e deslavada mentira endurecida.











