Blog do Evaldo Viana

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quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

O IPVA E A ENGORDA DO GOVERNO TARCÍSIO




No último dia 12 de janeiro, o Palácio dos Bandeirantes serviu o seu prato favorito: o IPVA. PAGUE JÁ, SEM RECLAMAR.

Para o contribuinte paulista, a iguaria veio acompanhada de um amargor difícil de engolir. Se as preces arrecadatórias do governo forem atendidas, em 2026 nada menos que R$ 35 bilhões serão extraídos das garagens dos cidadãos para irrigar os cofres públicos. É a "irrigação" do Estado feita com o suor e muitas lágrimas DE quem tenta manter as contas em dia.

O governo Tarcísio, que desembarcou com a promessa de um "Estado enxuto" e uma silhueta reformista, parece ter trocado a esteira ergométrica pelo buffet livre. Se em 2022 o IPVA custava aos proprietários de veículos R$ 22,7 bilhões, em 2025 essa cifra saltou para R$ 31,63 bilhões. Um espetáculo de crescimento de 39,33% em apenas três anos. Uma proeza que faria qualquer CEO de multinacional chorar de inveja, mas que, na prática, nada mais representa do que botar no lombo do contribuinte uma pesada e insuportável carga tributária.

Como se opera esse milagre da multiplicação dos pães (ou melhor, dos impostos)? A receita é simples: aplica-se, sem anestesia, a alíquota mais salgada do Brasil (4%) e senta-se à beira do caminho esperando a "mão invisível" da Tabela FIPE inflar os preços dos carros seminovos. É o imposto que se autoalimenta da inflação, um parasita que cresce conforme o hospedeiro adoece.

Enquanto estados vizinhos já despertaram para o fato de que o contribuinte não é um poço de petróleo sem fundo ( reduzindo suas alíquotas para patamares civilizados), São Paulo parece viver em um universo paralelo de fartura. Mas não se engane: essa "fartura" não se reflete em impostos mais baixos, e sim na manutenção de uma estrutura administrativa que se tornou pesada, gorda, obesa e rechonchuda. Afinal, o apetite voraz do Estado precisa ser saciado, e o IPVA de 4% é o banquete servido pontualmente a cada janeiro.

Essa obsessão arrecadatória encontra sua razão de ser quando olhamos para onde o dinheiro escorre. O discurso do "Estado enxuto", que outrora brilhava nas promessas de campanha, ruiu fragorosamente diante da balança orçamentária. Para que o Governo possa arrecadar como um gigante, ele primeiro escolheu gastar como um perdulário.

Basta examinar a curiosa "dieta" da gestão atual. Em 2022, os gastos com Pessoal e encargos — a base da nossa folha de pagamento — somavam R$ 104,1 bilhões. Contudo, sob os cuidados do governo que se dizia reformista, essa conta sofreu um "efeito sanfona" reverso: em vez de murchar, explodiu para absurdos R$ 146,1 bilhões em 2025. Um inchaço de 40,3% que ignora qualquer tentativa de austeridade.

E como um banquete nunca vem desacompanhado, a folha de pagamento levou consigo as "Outras Despesas Correntes". Esse grupo, que engloba o custeio da máquina e seus contratos, saltou de R$ 170,2 bilhões para R$ 196,4 bilhões no mesmo período. É o Estado se autoalimentando: cada real extraído do motorista paulista parece ter o destino carimbado para sustentar uma burocracia que se recusa a subir na balança.


Se houvesse um fiapo de empatia fiscal, ou se a gestão tivesse a coragem de cortar na própria carne em vez de furar o cinto do cidadão, seria perfeitamente possível ter estancado essa hemorragia de gastos. Se o governo tivesse contido apenas uma fração dessa gula administrativa, o IPVA de 2025 poderia ter caído para 3%. Essa redução representaria um alívio de R$ 7 bilhões — dinheiro que estaria circulando no comércio, pagando escolas ou quitando dívidas das famílias, em vez de ser desperdiçado para manter o brilho das despesas graciosas de uma máquina que se recusa a emagrecer.

São Paulo, ao que parece, descobriu a fórmula da alquimia moderna: transformar o esforço de quem trabalha na manutenção de um Leviatã obeso que, ironicamente, cobra caro para continuar sentado.

Essa infame e odiosa fórmula administrativa que combina aumento desregrado e irresponsavél das despesas públicas com escorchante e impiedosa cobrança de impostos do contribuinte paulista é a melhor proposta que o CEO Tarcísio de Freitas tem para nos oferecer? É isso que ele pretende oferecer ao povo brasileiro?

Fonte: RREO, SEFAZ/SP, SICONFI


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